Em nome de Chiquinho

Jovens voluntários se unem para servir, todas as quintas-feiras na casa de apoio da Uopeccan, o melhor café da manhã de suas vidas!

 

Texto Rejane Martins Pires

Fotos Bruna Scheidt

O que motiva o trabalho voluntário? Amor ao próximo, altruísmo, abnegação? Pode ser. Porém, para este grupo de jovens da foto ao lado, há algo maior que pode ser sintetizado pela palavra “aprendizado”. E tudo começou num momento de dor do personagem principal desta história que, aliás, não aparece na foto. Vamos lá.

Diagnosticado com leucemia em setembro de 2016, Francisco Tiago Parra, o Chiquinho, só tinha um pensamento: iria morrer! Toda a vaidade juvenil caiu por terra após as 80 quimioterapias e medicamentos fortíssimos. Ao se deparar com outras pessoas, igualmente jovens, igualmente doentes, viu que não era o único “designado”.

Veio o enfrentamento. E com ele, o voluntariado. Após 90 dias de internamento, enxergou um mundo antes invisível. Graças à ajuda dos amigos, que realizaram a Feijoada do Chiquinho, conseguiu recursos para subsidiar os gastos com o transplante. A ideia deu tão certo que o grupo resolveu ampliar o projeto. Até um grupo no whatsapp foi criado para fomentar as ações, que hoje incluem Dia das Crianças, Natal, Páscoa e outras datas.

Café das quintas

A partir da feijoada e do desejo de ajudar mais, nasceu também o grupo do café. A princípio, seria a cada 15 dias, mas o entusiasmo falou mais alto e os jovens assumiram uma responsabilidade e tanto: todas as quintas-feiras amanhecem na casa de apoio da Uopeccan. Buscam doações, organizam-se em esquema de rodízio e não falham. “A melhor recompensa é o sorriso das pessoas”, afirma o empresário Daniel Dall Agnol.

O trabalho formiguinha atende de 70 a 80 pessoas. “Só de pensar que se não estivéssemos fazendo isso eles não teriam esta primeira refeição, já nos sentimos agraciados. O mais bacana é que não oferecemos só o pão, nos doamos por inteiro e a gratidão é recíproca”, diz a voluntária Aline Gobi.

Ela reforça também que um dos objetivos do grupo é despertar o espírito solidário tão urgente no mundo atual. “Solidariedade vai além da ajuda material. É você se importar com o outro”, diz. E há várias maneiras de ajudar, segundo a comerciária Nina Cortes. “Uma delas é colocar a mão na massa, trabalhar mesmo. É neste envolvimento que você aprende e melhora como ser humano”.

Legenda:

Grupo de voluntários exibindo na tela no celular a foto do principal incentivador: o amigo Chiquinho, internado em São Paulo, recuperando-se do transplante de medula

Aline Gobi tocando o sino da solidariedade: gratidão recíproca

 

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