Afinal, por que periciar?

Se você já tem problemas demais para resolver no dia a dia e não precisa de mais um, vale a pena investir um pouco na perícia veicular antes de comprar um seminovo

Texto Rejane Martins Pires
Fotos Fábio Conterno

Três em cada dez carros que chegam à Terceira Visão, empresa especializada em perícia veicular de Cascavel, tem laudos reprovados. O número é expressivo: 30%. A maioria por adulteração de motor, chassi e câmbio ou corte estrutural. Significa dizer que numa frota estimada de 215 mil veículos, mais de 60 mil tem alguma restrição.

Mais que isso. Numa cidade com cerca de 200 “garagistas” fazer uma perícia antes de bater o martelo é uma espécie de blindagem. Além de evitar transtornos e possíveis riscos legais do veículo, há a questão da segurança. É o perigo do carro remendado. “Tem carro que chega aqui tão adulterado que não é mais ele”, explica o perito Desiderio Petri. “Pior, com consertos puramente estéticos e aspecto de novo, continuam rodando”, acrescenta.

Eis aí a importância de um olhar profissional. Detalhe: ao contrário do que muita gente pensa, fazer perícia é barato. Os valores ficam entre R$ 250 e R$ 300, para carros pequenos e médios, e a análise completa dura cerca de 40 minutos. Nada passa em branco. Enquanto os peritos analisam o carro, centímetro a centímetro, desde chassi, motor, câmbio, vidros, etiquetas de identificação, teste de airbag, lacre de placas, adulteração de carroceria e repintura, uma equipe interna faz a checagem em bases de dados públicas e privadas.

São mais de oito páginas com informações como a procedência, identificação exata do veículo, numeração de motor e chassi, além de fotos. Se o carro já sofreu algum sinistro, se está com alguma restrição judicial, histórico de leilão e até se já fez algum recall, vai ser identificado. “Aquela história de falar que é carro de médico ou único dono não funciona mais. A pessoa pode até mentir, mas a perícia é soberana”, afirma Petri.

 

Nada combinado

Golpes envolvendo compra e venda de veículos seminovos sempre existiram. Porém, na mesma proporção das pessoas mal intencionadas, há os vendedores éticos. É aí que entra um contrassenso. “Muitos compradores desconfiam quando veem um laudo exposto no painel do veículo. Acham que é um combinado. Ao contrário, quando o vendedor investe numa perícia, os benefícios se revertem para ele mesmo”.

Know how

Franqueado há cinco anos em Cascavel, o empresário faz em média 900 laudos mês, o que lhe garantiu a quarta colocação entre as 400 unidades da Terceira Visão no País, competindo com centros maiores como Curitiba, Londrina e Campinas.

Todo este know how tem um ponto de partida: investimento. Não apenas em tecnologia e equipamentos, mas em aperfeiçoamento humano. Petri, por exemplo, tem mais de 700 horas de cursos em dois institutos de criminalísticas de São Paulo.

Antes de abrir a franquia, Petri trabalhou com grandes marcas como Volvo, Toyota, Land Rover e BMW. A Terceira Visão é integrada à Base de Índice Nacional (BIN), uma base de dados informatizada e centralizada que armazena informações oficiais do Denatran.

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