Equilibra Cascavel!

Texto Rejane Martins Pires

Fotos Bruna Scheidt

Cascavel é uma cidade de despropósitos. E de contrassensos também. É rude, durona, mas também consegue ser amável e acolhedora. Para uns é implacável. Para outros, apenas uma rota de passagem. Não é uma cidade para qualquer um. Nunca foi. Sobreviver aqui é para os fortes. Em contrapartida, quem resiste, tem suas recompensas. Cascavel amadurece, transforma e, apesar das disparidades sociais, traz possibilidades. Aos 66 anos, busca seu equilíbrio nesta gangorra de experiências pessoais e coletivas. Mas, afinal, o que os cascavelenses pensam sobre sua cidade? Como vislumbram Cascavel daqui a 30 anos? Quais os entraves? O que fazer? E, já que é aniversário, que presente você daria para Cascavel?

“Há uma certeza para o futuro: Cascavel irá crescer muito até 2030. O grande desafio será crescer de forma diferenciada de outras cidades, equilibrando oportunidades de crescimento e qualidade de vida . Para isso é preciso fazer um excelente planejamento urbano, discutido com toda a sociedade. Depois é necessário ter compromisso coletivo e disciplina para respeitar o plano proposto. Cascavel terá um futuro desafiador e todos nós somos responsáveis por ele”
Ricardo Rocha, engenheiro civil 
e professor da Unioeste

 

“Eu vislumbro Cascavel em 2030 com grande otimismo. Além de ser ainda mais conhecida pelo seu polo universitário, novos e grandes profissionais se destacarão na área de saúde e outras áreas. Os empresários estarão cada vez mais unidos, pois sem parcerias ninguém mais sobreviverá. Para chegarmos a isso, será necessário que os grandes empresários sejam mais receptivos às empresas daqui e deem mais oportunidades, pois investem na cidade também. Acho que o tal ´coronelismo` está terminando, mas mesmo assim, poucos ainda ´mandam` em muitos setores. Se isso acabar, Cascavel poderá se tornar a melhor cidade pra se morar no Brasil. Mas, no geral, eu amo essa cidade linda que me acolheu e acolheu nossa empresa maravilhosamente bem!

Letícia Fabian, empresária

 

“O desafio de Cascavel é semelhante ao das demais cidades médias brasileiras, ou seja, se manter dinâmica econômica e socialmente diante de um mundo em constantes transformações. Aos trabalhadores e empresários cabe uma preocupação constante com o aumento da produtividade e ao poder público, atitudes voltadas ao favorecimento das ações econômicas das pessoas e das empresas. Sem aumentar a renda e melhor distribuí-la não há muito o que se esperar do futuro.

Alfredo Fonceca Peris, economista e consultor empresarial

 

“Cascavel está condenada ao progresso constante. E por uma extensa conjunção de fatores favoráveis que este pequeno espaço não permite listar. É verdade que a caminhada poderia ser mais rápida e menos sofrida.  O espírito fortemente competitivo e individualista de seus empresários, estimulado por disputas às vezes ferozes no mundo dos negócios, fez a pujança da cidade. Mas criou também uma sociedade muito fragmentada por objetivos pessoais. E isso trava a conquista de uma maior e merecida atenção dos governos federal e estadual. Essa realidade só vai mudar se houver, entre suas lideranças, um amplo entendimento para construir uma ação política articulada, pragmática e inteligente que demonstre a força de uma comunidade unida em torno de suas reivindicações”

Caio Gottlieb, publicitário

 

“Entendo que Cascavel tem um futuro realmente promissor, será uma grande metrópole. Eu fui um dos 5 mil primeiros moradores de Cascavel na década de 1950 e já vislumbrava uma coisa diferente nesta terra. Eu penso que a administração atual está no caminho certo, procurando construir diretrizes para as próximas décadas, até porque improvisar hoje em dia é muito complicado. Vejo que o prefeito atual tem uma vontade de projetar Cascavel para os próximos 20 anos. Hoje, o maior entrave é justamente a falta de uma diretriz que permita o planejamento a longo prazo. Fazendo isso, as soluções naturalmente vem”

Ibrahim Fayad, agropecuarista

 

“Com apenas 66 anos, Cascavel é uma cidade deslumbrante: encantadora, maravilhosa e acolhedora. Somos a maior e mais influente cidade da Região Oeste do Paraná, graças à sua localização estratégica, à força do nosso agronegócio e ao protagonismo de sua gente. Mas Cascavel também apresenta problemas sérios na segurança pública, no atendimento da saúde, na mobilidade urbana, dentre outras. As gestões têm tido uma atuação limitada, conduzindo Cascavel como se fosse um município pequeno, provinciano. Precisamos de uma gestão técnica e planejada, com visão inovadora, moderna. Não podemos nos contentar com o elementar. Temos que pensar grande. Uma cidade mais segura, mais moderna – mais humana – é a Cascavel que vejo e desejo para 2030. Para isso, nosso principal desafio é integrar as forças políticas, que hoje atuam de forma individualista, desarticulada e até desagregadora em alguns casos. Todos unidos por Cascavel é o que precisamos”

Márcio Pacheco, deputado estadual

 

Que presente você daria para Cascavel?

Saúde, segurança, parques, aeroporto, calçadas sem buracos. Se você pudesse dar um presente de aniversário para Cascavel, o que seria? A Revista Aldeia fez esta pergunta a várias pessoas. Saiba o que eles desejam para a cidade:

“Eu gostaria que todas as pessoas tivessem uma casa para morar e ser feliz”

Yudy Joham Santos, 8 anos, aluno da 3ª série da Escola Municipal Maximiliano Colombo

 

“Eu gostaria era ver as crianças felizes e em segurança com suas famílias, pois hoje em dia a violência está muito grande tanto na rua quanto dentro de casa”

Kauê William Santos, aluno da sexta série do Colégio Itagiba Fortunato

 

“Daria honestidade aos corruptos, paz aos violentos, caridade aos egoístas, consolação aos desesperados, fé aos descrentes, perseverança aos bons, pois, creio firmemente, que somente o que é nobre edifica e conduz à verdadeira prosperidade”

Padre Zico

“Um aeroporto regional”

José Vasconcelos, presidente da Acic

 

“A esperança de que nossa cidade se destacará no cenário nacional por ser a cidade mais igualitária, pacífica e inclusiva. Principalmente porque, se estas questões forem uma preocupação real do poder público, o senso de pertencimento fará com que muitas outras questões – como a violência, a falta de saúde, a pobreza – se resolvam com muito mais facilidade. #behuman”

Izaque de Souza, graduado em Direito, mestre e doutorando em educação

 


“Presentearia a cidade com políticas públicas que buscassem mais bem estar, oferecessem melhor qualidade de vida à população e promovessem o desenvolvimento da cidade, sem esquecer de desenvolver as pessoas que nela vivem. Também daria a ela, uma população mais interessada e envolvida em suas causas e que demonstrasse mais orgulho por ela e por sua gente”

Vânia de Camargo Müetzemberg, funcionária pública, especialista em trânsito

 

 

LEONALDO PARANHOS

E, você prefeito, qual é o seu presente?

O melhor presente na condição de prefeito é dar o respeito à população. É entender as suas demandas, que aliás, são múltiplas. As expectativas das pessoas são muito diferentes e só com respeito para conseguir atender a todas estas necessidades. E entendo que uma administração precisa ser horizontal e respeitadora.

 

Era o que você esperava quando assumiu?

Era. Inclusive as dificuldades. Eu sei que é muito difícil atender as demandas de 320 mil pessoas. Às vezes, eu consigo uma verba para o aeroporto e, se eu anuncio lá na periferia, cai o semblante das pessoas (elas não vão voar).  Por outro lado, se eu falo na Acic sobre uma obra de esgoto nos bairros não é o que empresário quer ouvir.  É esta sensibilidade que o governo precisa ter. Não existe super-heróis. Existe possibilidade de parcerias, de ouvir, de avançar com mais ideias. Sozinho é impossível. Ou tenho ouvido muito. Uma das formas de avançar no mandato é ouvir o que vem da população porque o gabinete é encastelado. A população fala o que sente. Se está bom, está bom. Se está ruim, está ruim.

 

Algum arrependimento neste primeiro ano?

Sempre é bom tentar fazer as coisas melhores, mas o problema maior que eu encontro é a burocracia do serviço público. Eu sou ansioso e vejo que muitas coisas deveriam ter sido feitas não aconteceram. Mas não é por falta de vontade minha, mas pelo peso da máquina. Eu tenho lutado todos os dias para encurtar isso. Eu sei que as coisas demoram, mas estou trabalhando para o equilíbrio.

 

Como alcançar o equilíbrio?

O grande segredo é fazer o que eu gosto. Eu amo fazer isso. É claro, sempre tem um probleminha familiar. Afinal, o tempo do Paranhos não é mais o tempo do Paranhos. É uma falta de respeito o Paranhos não estar na inauguração de uma empresa, por exemplo, mas a minha família sabe disso, sabe que eu gosto, e que fazer política realiza.

 

Como recebeu os 85% de aprovação?

Atribuo isso à expectativa da população. Ela quer que dê certo. A população não fez uma avaliação do que eu fiz, mas daquilo que tem expectativa. Ela quer que acerte e eu preciso dar a resposta, tomando decisões claras, transparentes, sem aquele negócio do poder público dificultar a vida das pessoas.

 

EU AMO CASCAVEL

“Eu amo Cascavel porque é uma cidade bonita, pujante e com qualidade de vida incomparável. É a cidade que escolhi para viver, trabalhar, criar meus filhos, construir minha vida e ser feliz. Cascavel ainda tem muito a desenvolver, mas é justamente isso que lhe dá vitalidade. É uma cidade que encanta”

Jorge Luiz dos Santos é medico e presidente da Associação Médica de Cascavel (AMC)

 

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