Aldeia lança livro nesta quinta

Durán foi um dos principais comentaristas políticos da imprensa portenha, talento que o levou para o parlamento. Foi correspondente internacional do La Nácion em vários países da Europa e América do Sul, além de Estados Unidos e México

A Editora Aldeia Paraná, em parceria com a Associação Médica de Cascavel (AMC), lança nesta quinta-feira (12), às 20 horas, na sede da entidade, o livro “J.J. DURÁN – E os livres do mundo respondem”. Organizado pelo médico e escritor, Márcio Eduardo Couto, a obra é uma coletânea de crônicas e comentários de Duran, jornalista argentino radicado no Brasil desde 1980. A foto que ilustra a capa do livro é de César Pilatti, o design de Danni Nicolino Dias e a impressão da Gráfica Assoeste. Durante o lançamento, haverá uma apresentação da Cia de Dança e Arte Jenifer Lima.

As crônicas, segundo Couto, são lições de humanismo no decurso de sua história/trajetória de vida. “Os textos primorosos que escreveu para os jornais Fronteira do Iguaçu e O Paraná são de um especialista, tal o nível de conhecimento intelectual e mesmo histórico e geográfico”, escreve.

Trata-se de um jornalista que acompanhou o último século da história da humanidade e de nossa América Latina, entrevistou os principais líderes mundiais e teve sua vida entremeada nos labirintos dos fatos que descreveu e mesmo sofreu, notadamente relativos ao duro período vivido no auto-exílio, como político distante de sua pátria.
Ele nunca esqueceu uma de suas assertivas: “Nos políticos e jornalistas jamais deve desaparecer a razão da prudência nos seus atos cotidianos. É necessário cultuar a tolerância, o diálogo e a conciliação de ideias e interesses, respeitando toda diversidade de pensamento”. Durán denunciou a utopia da justiça social para os pobres e oprimidos, o exacerbado egoísmo das classes dirigentes. E mais, foi até a essência do ser humano.

Arrojado ao mundo, sem saber por que nem para que, o homem sabe que não sabe. É consciente de sua ignorância. Reconhece que o sentido da vida é um mistério e por isso o procura. “Sigo lutando pelo social, que é o sentido da civilização moderna. Quando a sociedade não persegue as metas da elevação moral, cultural e econômica, perde a sua razão de ser”.

Filho do editorialista argentino Pedro Durán, Juan José Durán chegou a Cascavel com 200 dólares no bolso e uma carta de seu irmão general Pedro Alberto Durán para o oficial brasileiro Felippe Jorge da Silva, que mais tarde comandou a 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Exército Brasileiro, sediada em Cascavel (eles foram colegas de curso no Panamá).

Aqui ele se encantou com uma jovem brasileira, Ana Maria Theodorovicz, balconista de uma livraria, que achava curioso o argentino que ficava pedindo informações sobre a cidade e lhe observando de longe. Cascavel é palco de uma grande história de amor, portanto. Durán foi articulista/colunista político nos jornais Fronteira do Iguaçu e O Paraná, além de assessor para Assuntos do Mercosul na Prefeitura Municipal de Cascavel.

Na primeira parte do livro, os temas apresentados referem-se ao drama do ser humano e de sua atividade, no caso, o jornalismo. A liberdade de expressão encontra seu máximo valor na liberdade de imprensa. Aponta a humildade e a fraternidade como caminhos para a humanidade. Somos apresentados, também, aos seus “filhos da esperança”, quando tomou a si a missão de cuidar do ser humano, verdadeiramente. Além de seu filho biológico com a esposa Ana Maria, adotou mais 16 crianças. A apresentação preliminar é do professor, escritor e historiador Vander Piaia, ex-vice-prefeito de Cascavel, que conviveu com Durán em parte do período que atuou como assessor para Assuntos do Mercosul.

Na segunda parte, Durán escreve sobre a política e notadamente sobre os políticos do chamado Cone Sul, suas experiências como jornalista engajado nas questões sociais em vários países do mundo e da América Latina.
Articulista e correspondente internacional do Jornal La Nación, de Buenos Aires, trabalhou, além da Argentina, na Espanha, França, Marrocos e Suíça.

Ele afirma: “As contradições de nosso tempo são as mesmas do tempo passado”. E exemplifica, relatando momentos importantes vividos na Bolívia, Chile, Equador, Estados Unidos, México e Peru, ora como jornalista, ora como auto-exilado. Comenta sobre as necessárias reformas estruturais. Denuncia o imediatismo, a corrupção – sempre ela -, a violência, a hipocrisia e a desilusão representada pelos salvadores da pátria que perpetuam a injustiça social: “Vemos que se agarram ao poder como ostras no rochedo. Fazem dele um fim em si mesmo, o poder pelo poder, para satisfazer e encobrir tanta infâmia”. Estamos cada vez mais longe da “Pátria Grande”.

Há uma letargia democrática. Preconiza a ética e o retorno da humildade. Sua conclusão: “A verdade, a justiça e a vergonha são os únicos remédios que podem sanar uma Indoamérica enferma”. Os textos de apresentação são do jornalista, escritor e historiador Alceu A. Sperança e do professor e pesquisador Fausto Alencar Irschlinder, que gentilmente participam desta homenagem ao emérito jornalista de 90 anos de idade com a publicação de um livro/documento.

SERVIÇO

Lançamento do livro
“J.J. DURÁN – E os livres do mundo respondem
Data
12 de abril
Horário
20 horas
Local
Associação Médica de Cascavel (Rua Jequitibá, 559 – Recanto Tropical)

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