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ARTES

O humanismo de Marcio

Texto Rejane Martins Pires

Publicado em 15/06/2021



Para ele, a natureza é a grande obra divina! Sua aposta é na simplicidade e na singeleza, que muitas vezes pode provocar mais emoções do que trabalhos muito complexos

Ele se intitula como artesão, mas na verdade é um artista multifacetário. Desenho a lápis, aquarela, óleo sobre tela, vitrais, pintura acrílica, escultura e artesanato integram o portfólio de Marcio de Sequeira. Nascido em São Paulo e atualmente morando na Colônia Jordãozinho, distrito de Entre Rios, em Guarapuava, Marcio está retomando as atividades artísticas após um período afastado.

Tem se dedicado à pintura de paisagens, retratos individuais e retratos de famílias em tamanho natural, e artesanato em geral. É membro do Instituto Histórico de Guarapuava (IHG) e da Academia de Letras, Artes e Ciências de Guarapuava (Alac) e, nesta entrevista, faz uma reflexão sobre sua arte e sobre o momento atual. Para conhecer mais sobre o seu trabalho, acesse https://artesao-msequeira.webnode.com/

Você se apresenta como artesão, mas você é um artista multifacetário, correto?
Sim, aprecio todas as formas de arte. Aprendi muito cedo e me aperfeiçoei nas artes plásticas, que formam um universo ilimitado de possibilidades. Também na minha formação, aprendi a fundição de metais preciosos como ouro, prata, ligas nobres como bronze, trabalhos em cera para modelagem, resina acrílica, entalhe manual em madeira, tornearia de madeiras e metais. Mas a minha vocação principal é para o desenho e a pintura.

Qual linguagem veio primeiro?
Foi o desenho. O papel, algodão, lápis e borracha foram meus primeiros materiais e instrumentos artísticos. O algodão eu comecei a usar muito cedo para fazer sombreamento, esfregando raspas de grafite sobre o papel. No início prevaleceu o componente hereditário também, pois meu pai e meus irmãos mais velhos sempre foram muito habilidosos no desenho. Aprendi com eles e mais tarde com outras pessoas, escultura e pintura. O desenho sempre está presente nos meus trabalhos, é o alicerce, o berço para as minhas pinturas, esculturas, colagens.

De que formas as várias linguagens se complementam?
Quando o artista transfere sentimentos para uma obra, esta pode ser considerada pronta! Seja um desenho com poucos traços de grafite, simples e sem outras cores. A interpretação do artista está impressa no trabalho e cada pessoa terá oportunidade também de interpretar com suas próprias emoções.

A incorporação de outras linguagens ao trabalho pode enriquecer a contemplação. Fazendo uma analogia com a música - outra forma maravilhosa de arte - apenas um cantor com sua voz talentosa, pode emocionar uma plateia inteira, da mesma forma que uma orquestra com múltiplos instrumentos e vozes.

Assim como até as pausas de silêncio podem emocionar na música, a ausência de cor ou de traços no desenho também possuem essa magia.  Mas sem dúvida, a composição e harmonização de várias linguagens, têm o poder de elevar a imaginação e os sentimentos. A própria natureza nos revela isso, seja uma noite estrelada, o doce olhar de uma criança, um crepúsculo de cores quentes, uma cachoeira cercada de rochas inanimadas e vegetação. A natureza é sem dúvida, uma grande obra divina... Obras simples podem provocar mais emoções do que trabalhos mais complexos. Esta é a graça das artes!

Você parece explorar várias vertentes nas suas obras, não é? Como é a sua arte de uma maneira geral?
Uma característica que incorporo nos meus trabalhos, sejam desenhos, pinturas, esculturas, é a presença do ser humano. Mesmo em paisagens panorâmicas, procuro inserir uma pessoa no cenário, ainda que bem pequenina, no horizonte. Considero uma testemunha dentro da obra, alguém que está presente naquele momento e naquele lugar; geralmente me sinto dentro da paisagem. E quando é pertinente ao tema, também acrescento animais, plantas.

Definitivamente minha preferência é a pintura naturalista e de figuras. Sou apaixonado pela natureza, pelos seres vivos e seus hábitos, costumes, pelas paisagens. Então procuro retratar nas minhas obras, toda essa exuberância da vida e as experiências de trabalho do ser humano. Isso explica porque fiz poucos trabalhos de "natureza morta"! Prefiro a natureza viva!

A pandemia está mudando a percepção das pessoas em relação à arte?
Essa triste pandemia forçou o isolamento das pessoas no mundo todo. E ficou notório que muitas buscaram nos seu retiros, apreciar mais a música, a leitura, filmes, exercer alguma atividade artesanal para preencher o tempo ocioso ou como forma adicional de renda; também como mecanismo de fuga dessa realidade preocupante. Sem dúvida, a arte tem sido um excelente remédio para a alma, nestes tempos tão difíceis.

Espero que ao fim dessa pandemia, as pessoas voltem a ser ainda mais humanas no seu cotidiano e valorizem as coisas tão simples que ficaram esquecidas. Apreciem e protejam mais a natureza, o trabalho humano, as riquezas culturais. Não há pintor que supere as cores de uma flor, de um pássaro, uma borboleta, de um pôr-do-sol. Podemos "copiar", mas jamais igualar a beleza real da natureza, a obra do nosso Criador.


 

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1 COMENTÁRIO(S)

Muito boa matéria, pude conhecer um pouco mais do Márcio, um amigo que admiro e que coloca seus dons à serviço do próximo, parabéns!!!
comentado por SABINE BUCKMANN HOLDORF em 27/07/2021
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