Matérias

Edição 151
ENTREVISTA - Luiz Ernesto

Efeito Luiz Ernesto!

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Kauã Veronese

Publicado em 23/06/2021


A ideia seminal da gestão do secretário de Cultura e Esporte, Luiz Ernesto Meyer Pereira, é a de construir pontes entre pessoas, setores da sociedade e, consequentemente, uma nova identidade cultural

Você já ouviu falar no “efeito Bilbao”? Não? Então, vamos lá. É o termo usado para definir as transformações que a cidade de Bilbao, no norte da Espanha, teve após a inauguração do Museu Guggenheim Bilbao. Ninguém, jamais, cogitou a ideia da cidade, com 340 mil habitantes, receber turistas. Com a inauguração do museu, Bilbao, que tinha “zero turista”, passou a atrair um milhão de turistas por ano, 75% estrangeiros. Qual o milagre? Simples. 

Ao revitalizar espaços culturais, mudou o perfil. De centro industrial decadente se transformou na fascinante capital do design, da arquitetura e da gastronomia. Semelhante iniciativa, é claro, guardadas as proporções, estão sendo pensadas para Cascavel. É aí que entra o “efeito Luiz Ernesto”, que a convite do prefeito Leonaldo Paranhos, assume a missão de fomentar a indústria criativa por aqui. 

Em menos de quatro meses no cargo de secretário da Cultura e Esporte, ele já tem ações que vão colocar o município num outro patamar. E não é nada fantasioso não. Ao contrário, como bom gestor, trabalha a partir de dados, números, índices, parcerias, e, claro, projetos. Muitos projetos. 

É o que se pode chamar de visão expandida da cultura. Entenda-se cultura aqui por um movimento além das linguagens tradicionais. Cultura está na arquitetura, na gastronomia, no design gráfico, no design de moda, na arte popular, na museologia, nas manifestações étnicas, tanto na cidade quanto no campo. “Fortalecer a indústria criativa é uma solicitação do próprio prefeito Paranhos”, explica.

Argumentos para isso têm de sobra. “A economia criativa gera mais empregos que a indústria da transformação”, ressalta o secretário. Isso sem falar no turismo cultural. Segundo dados da Unesco, 37% da população mundial viaja por motivação cultural.

“Ou seja, é possível, sim, colocar Cascavel nesta rota. Já somos um polo de saúde, universitário, do agronegócio e de prestação de serviços. Com os investimentos em espaços de cultura teremos uma poderosa ferramenta de promoção da imagem da cidade”.

Para quem ainda duvida do poder da indústria criativa, basta dar uma olhada aqui mesmo no Brasil. Inhotim, maior centro de arte contemporânea do país, transformou a cidade de Brumadinho, com pouco mais de 40 mil habitantes, em Minas Gerais, atraindo gente do mundo todo para visitar as 23 galerias de arte e 560 obras espalhadas ao longo de 140 hectares. 

PROJETOS 

EXTENSÃO DO MON
Cascavel terá ainda este ano uma extensão do Museu Oscar Niemeyer (MON), com sede em Curitiba. O espaço será inaugurado no quarto pavimento do Teatro Municipal e vai permitir que os cascavelenses tenham acesso a um riquíssimo acervo comparado a grandes museus mundiais, como o Louvre, em Paris, e o Metropolitan, em Nova York.

O MON tem 7 mil obras nas áreas de artes visuais, arquitetura e design e é considerado o maior museu de arte da América Latina. Sua principal coleção, considerada um tesouro, é de arte asiática.

MUSEU DO LAGO
Aproveitando o cenário do Lago Municipal e do Parque Ecológico Paulo Gorski, já está sendo projetado o Museu do Lago. O complexo vai abrigar o Museu do Agro e Tecnologia e também os museus já existentes, como Museu Histórico, Arqueologia, Museu da Imagem e do Som (MIS), reserva técnica do Museu de Arte de Cascavel, salas para coleções particulares que, segundo levantamento da Cultura, somam mais de 50, além de restaurante com vista panorâmica.

PAÇO DAS ARTES
Inaugurado em 1972, o prédio que abriga a Biblioteca Pública e o Museu de Arte (MAC) será revitalizado. Além de melhorias em todo o conjunto, com instalação de elevadores, nova escada e novos banheiros, ganhará um anexo, com acesso para um jardim suspenso onde atualmente é o telhado.

No local, haverá um café, bistrô e espaço para eventos. O arquiteto Nilson Gomes Vieira, autor do projeto original, é o responsável pela nova proposta. 

MUSEU HISTÓRICO
O Museu Histórico Celso Formighieri Sperança já está sendo revitalizado. As melhorias incluem climatização, laboratório de arqueologia, câmeras de segurança, acessibilidade nos banheiros, descupinização, troca das telhas, manta térmica, forro novo, luminárias, cobertura do solário e área educativa. As obras devem ser entregues em setembro, quando o museu comemora 45 anos.

Os recursos foram obtidos através de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em pedido protocolado pela coordenadora Silvia Prado em 2018.

IGREJA DO LAGO
Patrimônio cultural de Cascavel, a Igreja do Lago, fechada desde 2013, finalmente será reaberta. Aliás, esta foi a primeira demanda emergencial que Luiz Ernesto recebeu quando assumiu o cargo. A famosa igrejinha, construída em 1958 no distrito de São João e transferida para o Lago, em 1987, corria o risco de tombamento após ser atingida por um galho de árvore durante um vendaval em setembro do ano passado.

O trabalho de restauração está adiantado, pois o local sediará uma exposição comemorativa aos 70 anos de emancipação do município.

RESGATE DOS DISTRITOS
Ainda dentro da comemoração dos 70 anos, está sendo realizado um trabalho de resgate histórico-cultural dos distritos. O primeiro distrito contemplado com o projeto é Sede Alvorada. Para valorizar a colonização alemã, predominante na comunidade, será construído um portal em estilo enxaimel e todos os espaços públicos serão readequados com as mesmas características. 

LUIZ ERNESTO, 
O que lhe trouxe de volta?
Ser secretário de Cultura e Esporte de uma cidade da envergadura de Cascavel, da importância de Cascavel, é um privilégio, uma honra. Então, aceitei, e aqui estou para trabalhar em cooperação com a equipe de servidores da Cultura e do Esporte. É um trabalho árduo. Muita coisa foi feita, mas há muito que se fazer. A cidade cresceu, se reinventou em todas as áreas.

É uma alegria estar de volta. É uma emoção estar aqui neste teatro que acompanhei quando era apenas um projeto, lâminas de papel vegetal. Hoje é um lindo complexo cultural.

Você tem uma relação afetiva com a cidade?
Sim, aprendi muito com Cascavel. Todo o aprendizado que tive aqui ao longo de anos me permitiu desenvolver outros projetos também na área cultural em Curitiba, a exemplo da Bienal Internacional. Estar aqui é uma oportunidade ímpar de retribuir isso.

Sou muito agradecido às oportunidades que eu tive aqui, às pessoas com quem eu convivi, com quem trabalhei e aos amigos e amigas que fiz. Agora, com uma vivência maior, posso devolver um pouco do que Cascavel e as pessoas de Cascavel me oportunizaram. 

Recentemente você foi alvo de críticas em relação à sua gestão. Como avalia?
Cada pessoa tem uma forma de conduzir, de trabalhar. Esses anos todos atuei na iniciativa privada, em que se cobra muito resultado. Eu me considero mais um integrante de uma equipe e, estando numa equipe, preciso saber o que o colega está fazendo, o que foi feito ontem, o que será feito amanhã, qual é o planejamento, o cronograma de trabalho.

Existem muitas demandas, muitos prazos. Como gestor, preciso destas informações, bem como de uma equipe coesa e colaborativa. Ninguém faz nada sozinho. 

E os recursos? Como conseguir?
Está havendo uma força-tarefa para buscar recursos adicionais. Veja bem, a prefeitura não precisa fazer tudo. A missão da prefeitura é estimular a sociedade civil a buscar recursos financeiros através de projetos. Temos um cenário favorável para isso. Uma das fontes de recursos podem ser as próprias cooperativas pelo ICMS.

Para se ter uma ideia, das 15 maiores cooperativas da América Latina, dez estão no Paraná. Cinco estão no Oeste. Uma delas em Cascavel. Estas cinco cooperativas juntas faturaram R$ 40 bilhões ano passado. São números expressivos. Por isso, tudo o que está sendo pensando não é fora da realidade.

De zero a dez quanto você está motivado para fazer tudo isso acontecer? 
1.000%!
 

“A grande maioria dos servidores tem esta cultura colaborativa. São pessoas apaixonadas pelo que fazem e, por isso mesmo, transformam projetos em realidade”

* Embora represente as duas pastas, Esporte e Cultura, o foco desta entrevista por opção da Revista Aldeia, foi na área cultural.

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