Matérias

Edição 120
ACIC Mulher

Todo o azul de Beth

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Nascida em Espigão Azul, Elizabete da Silva aprendeu com o simples ato de dobrar um lençol detalhes importantes para a vida corporativa:
zelo e persistência!

 

Beth com o lenço rosa da Acic Mulher: “Nossa força está em nossa postura”

Quem convive com Elizabete da Silva conhece bem a sua postura franca e o seu senso de justiça. Gestora de uma equipe de vendas na Fipal Consórcio, ninguém fica imune também à sua vibração. Principalmente em dias de assembleia. 

É comum, após os sorteios, vê-la agarrada ao telefone dando as “boas-novas” aos clientes. Vibra junto com a conquista de cada um, seja moto, carro, imóvel ou aquela tão esperada cirurgia. “O meu trabalho é apaixonante. Eu realizo sonhos”, diz. Por trás de toda esta paixão, uma história de vida com regras claras: respeito aos outros, trabalho e estudo. 


E foi justamente para os dois filhos estudarem que a família deixou o sítio, na comunidade de Espigão Azul, para recomeçar a vida em Cascavel. Da infância livre subindo em árvores, brincando em riachos, correndo em potreiros, um legado positivo: a coragem. “Sempre quis andar sozinha, caminhar com as próprias pernas”, conta.
 

DOBRANDO LENÇOL

O trabalho de babá, aos 14 anos, foi a primeira experiência fora de casa. A convivência com outras pessoas, a responsabilidade de cuidar de uma criança e o senso de oportunidade foram determinantes para o que vinha adiante. “Até dobrar lençol eu aprendi”, conta Beth, referindo-se a uma conquista incrível para uma adolescente.
Como tudo na vida é relacionamento, após dois anos, surgiu uma vaga de estagiária na Caixa Econômica Federal, onde sua mãe trabalhava. Dobrar lençol definitivamente não era o principal requisito para a vaga.

Mas, diante do pedido da mãe, a gerente da época, Regina Kunz, contratou a menina. “Ela foi meu anjo da guarda aqui na terra. Não sabia mexer numa calculadora, mas pacientemente me ensinou tudo. Foi o pontapé para a minha carreira profissional”, diz.
 

ME CONTRATA!

Com o fim do estágio na Caixa, Beth conseguiu seu primeiro emprego com carteira assinada no Consórcio Festugatto (depois Masterplan). A afinidade com a área acabou rendendo um convite para organizar o setor de consórcios numa revenda de veículos. Detalhe: com salário bem maior. “O trabalho era ótimo, ganhava bem, mas me vi isolada. Eu gosto de gente, de vuco vuco, e estava infeliz”.

Certo dia, numa de suas idas à Fipal, arriscou pedir emprego. “Me contrata, por favor!”, disse ao gerente da época. “Beth, não é ético tirar uma funcionária de um cliente!”, respondeu o gerente, sem muito entusiasmo. No outro mês, lá estava ela, com o mesmo olhar inquieto, com o mesmo pedido. Negado. Não desistiu. “Se o senhor não me tirar eu saio”. 


PROPÓSITO DE VIDA

Numa decisão consciente para quem iria perder a metade da renda, saiu mesmo. “O meu problema ali não era salário. Era propósito”, afirma. Desde então, são mais de duas décadas com a família Riedi. Primeiro, na área administrativa, e, atualmente, na área comercial. Formada em Gestão Comercial e Administração, esta é Beth, a menina que deixou Espigão Azul mas nunca deixou o azul de seus sonhos desbotar. “Hoje consigo gerir minha equipe com serenidade graças a esta caminhada que me orgulho muito”.

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